Iniciativas de job shadowing aproximaram escola e trabalho, levando alunos e professores a contactar com o quotidiano de profissionais de diferentes áreas.
Ver o trabalho de perto é uma forma de tornar o futuro menos abstrato. Foi essa a lógica de várias iniciativas desenvolvidas no âmbito da oficina de formação “Da escola ao mundo do trabalho do futuro”, ministrada por Isabel Quirino, em articulação com o Centro de Formação da Associação de Escolas de Monchique e Portimão.
Inspiradas na lógica do job shadowing — aprender à sombra de quem já conhece o ofício —, estas ações aproximaram alunos e professores de contextos tão distintos como o IEFP, o meio empresarial e o jornalismo.
O primeiro destes momentos aconteceu nos dias 24 e 26 de março, quando a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, em Portimão, recebeu Ana Vieira, diretora do IEFP Barlavento, e Sónia Gomes, numa sessão dedicada às possibilidades de formação após o secundário, ao empreendedorismo e à literacia financeira.
A mensagem mais importante deste encontro foi que o futuro não se esgota na escolha de um curso. Num mercado de trabalho em mudança acelerada, aprender ao longo da vida deixou de ser um complemento para passar a ser uma exigência.
Num segundo momento, a escola saiu para observar o trabalho em contexto real, na incubadora de start-ups da Dengun, em Faro.
A visita, guiada por Angélica Castro, diretora de recursos humanos da empresa, deu a conhecer os processos de integração de novos colaboradores e algumas práticas internas, incluindo um manual interno de prevenção e atuação em casos de assédio moral e sexual.
Mais do que observar a empresa, esta visita mostrou que muitas das competências que a escola procura desenvolver nos alunos continuam a ser decisivas no mundo profissional.
Escrever com clareza, comunicar bem, escutar, cooperar, gerir o tempo e lidar com conflitos são capacidades que mudam de contexto e ganham exigência quando se entra no mercado de trabalho.

O terceiro momento trouxe à escola a diretora do Sul Informação, Elisabete Rodrigues, para uma conversa sobre jornalismo.
Os alunos puderam manusear, com curiosidade, jornais em papel, de vários países do mundo e regiões e em várias línguas.
A sessão sublinhou a importância da leitura, da escrita, da cultura geral, da curiosidade, da responsabilidade ética e da independência numa profissão em que informar exige prudência, verificação e contextualização.
Para os alunos, ficou claro que o jornalismo não se reduz à publicação de textos: implica escolhas, hierarquias de prioridades, verificação de factos e disciplina para pensar antes de dizer.
O job shadowing ganha particular interesse quando a escola se aproxima de interlocutores reais. A educação torna-se mais forte quando encontra percursos concretos de sucesso, como os de Ana Vieira, Sónia Gomes, Angélica Castro e Elisabete Rodrigues.
A escola pode ensinar muito, mas ensina melhor quando é interpelada por quem trabalha. A longo prazo, também o mundo do trabalho poderá beneficiar deste encontro, ao receber jovens mais capazes de ler, escrever, fazer perguntas e adaptar-se a diferentes contextos, num tempo em que a tecnologia se reinventa a grande velocidade. Através destes contactos, despertam-se interesses nos alunos.
A educação deixa, assim, de ser uma promessa vaga. Torna-se mais visível, mais concreta e, talvez por isso, mais significativa.