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Será que é bom “estudar onde é bom viver?”

Será que é bom “estudar onde é bom viver?”

Alunos ESJD
Escola Secundária João de Deus
12 Junho 2026

Beatriz está no 11º ano e sabe que gostaria de estudar fora do Algarve, porque acredita que essa escolha lhe trará mais oportunidades. Já Martim revela que ficar é a sua escolha, tendo em conta que estudar na região permite «reduzir despesas e facilita a adaptação à vida universitária».

Estas são as possíveis opções de dois alunos da Escola Secundária João de Deus, em Faro, que representam um universo de entrevistados cujo testemunho revela que não é consensual a escolha do futuro após o ensino secundário.

Nesta reportagem, foram entrevistados alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos da Escola Secundária João de Deus, em Faro, tendo depois sido relacionadas as suas opiniões com dados recentes sobre o Ensino Superior em Portugal e sobre a Universidade do Algarve (UAlg).

Os números recolhidos nos sites da UAlg, bem como DGES, mostram que o ensino superior continua a atrair cada vez mais estudantes. Em 2025, o número de inscritos em todo o país ultrapassou os 450 mil alunos, confirmando uma tendência de crescimento.

Na região algarvia, a Universidade recebeu 1.326 estudantes através da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2025/26, alcançando uma taxa de colocação superior à média nacional.

Entre os alunos entrevistados, a maioria revelou intenção de prosseguir estudos após concluir o ensino secundário.

Beatriz, do 11.º ano, considera que a frequência universitária é fundamental para aumentar as oportunidades profissionais e julga que encontrará as melhores oportunidades fora da região.

Segundo a aluna, esta opção poderá trazer-lhe «novas experiências pessoais e maior autonomia». Beatriz quer, por isso, concorrer para outras Universidades do país, ou até no exterior, uma vez que tem o desejo de estudar Design de Moda.

Já Martim (o aluno preferiu não revelar o seu verdadeiro nome), do 10.º ano, afirmou que gostaria de permanecer no Algarve para frequentar o ensino superior. Na sua opinião, estudar perto de casa «permite reduzir despesas e facilita a adaptação à vida universitária».

O jovem acredita ainda que a oferta de cursos da UAlg responde às necessidades de muitos estudantes da região.

Raul (o aluno também preferiu não revelar o seu verdadeiro nome), do 12.º ano, manifestou o desejo de estudar em Lisboa, defendendo que a mudança para outra cidade pode proporcionar novas experiências e maior autonomia.

Para este jovem, que sempre quis estudar na capital, a universidade representa «não apenas uma etapa académica, mas também uma oportunidade de crescimento pessoal».

As questões económicas surgiram igualmente como um fator importante para o Bernardo (outro aluno que também preferiu não revelar o seu verdadeiro nome), do 10.º ano, que destacou que os custos associados ao alojamento, transporte e alimentação influenciam significativamente a escolha da instituição.

Segundo este jovem, «permanecer no Algarve pode representar uma solução mais acessível para muitas famílias».

Por outro lado, alguns estudantes valorizam sobretudo a qualidade e o prestígio dos cursos. O aluno Constantino (nome fictício), do 11.º ano, explicou que a sua decisão dependerá das saídas profissionais oferecidas pela área de formação escolhida.

Já o Eduardo (nome fictício), do 12.º ano, pretende candidatar-se a Medicina e admite estudar fora da região caso encontre melhores oportunidades para concretizar os seus objetivos.

As opiniões recolhidas mostram que não existe uma resposta única para a questão que motivou esta reportagem.

Enquanto alguns alunos valorizam a proximidade da família, a redução de custos e a qualidade de vida do Algarve, outros sentem-se atraídos pela possibilidade de viver novas experiências académicas e pessoais noutras cidades.

A conclusão é que “estudar onde é bom viver” pode ser uma vantagem significativa para muitos estudantes e, na UAlg, existem ofertas académicas cada vez mais diversificadas.

No entanto, a escolha da universidade continua a depender dos interesses individuais, das condições económicas e dos objetivos profissionais de cada jovem.

Entre permanecer no Algarve ou partir para outra região, os estudantes da Escola Secundária João de Deus demonstram que o futuro académico é uma decisão cada vez mais ponderada e diversificada.

Questão de partida desta reportagem: Sendo alunos da Escola Secundária João de Deus, em Faro, e frequentando o 11.º Ano do Ensino Profissional, no curso Técnico de Comunicação, decidimos investigar a forma como os estudantes do Ensino Secundário encaram o seu futuro académico.
A questão que orientou este trabalho foi simples: será que os jovens algarvios pretendem continuar os seus estudos na região onde vivem ou preferem procurar outras Instituições de Ensino Superior no resto do país?

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