Um poema escrito pelas alunas do 10º A da Escola Secundária de Vila Real de Santo António, Raquel Martins, Ema Tenório e Leonor Mariano
Dentro da minha cabeça
há sempre uma reunião estranha.
De um lado está Deus,
calmo, paciente,
a dizer:
“Respira.
Vai devagar.
A vida não é corrida de cem metros.”
Do outro lado está o Diabo
sentado na cadeira,
pés em cima da mesa,
a dizer:
“Devagar nada!
Se é para viver,
vive já.”
Deus fala de paz,
de silêncio,
de olhar o céu
e agradecer o dia.
O Diabo fala de aventuras,
de erros memoráveis,
de histórias que um dia
dão boas gargalhadas.
E eu no meio dos dois
como árbitro cansado
de um jogo que nunca acaba.
Às vezes tento ouvir Deus:
beber água,
dormir cedo,
ser uma pessoa responsável.
Mas o Diabo sussurra:
“Só mais um episódio…
só mais cinco minutos…
só mais uma ideia maluca.”
E o pior é que
às vezes ele tem graça.
Mas no fundo
acho que os dois sabem
que precisam um do outro.
Porque Deus lembra-me
que devo ser melhor.
E o Diabo lembra-me
que também devo ser vivo.
E talvez viver
seja isto mesmo:
Ter o coração dividido
entre quem nos pede calma
e quem nos desafia
a rir, errar
e tentar outra vez.